O que o catálogo é, tecnicamente
Ele não fica no seu celular. O catálogo é uma lista que a Meta hospeda e amarra à sua conta comercial, e é por isso que ele sobrevive a uma troca de aparelho e continua existindo depois que o número vai para a API. O app é só a porta de entrada mais simples para editar essa lista. A outra porta é o Gerenciador de Comércio, onde entram os catálogos grandes, vindos de um feed da loja virtual.
A documentação da Meta separa o catálogo em duas naturezas: produtos, com preço, código e imagens, e serviços, como agendamentos, consultas e assinaturas. Clínica de estética, contador e oficina cadastram serviço do mesmo jeito que a loja cadastra tênis. O campo de preço aceita um valor fixo, e só; quem trabalha com orçamento deixa o preço em branco e escreve “a partir de R$ X” na descrição.
Do lado do cliente, a vitrine aparece em dois lugares: um botão no seu perfil comercial e um ícone de loja no topo da conversa, que só existe quando há itens publicados. É por isso que “o cliente não acha o catálogo” quase nunca é problema do cliente.
Passo a passo
1Conte as vagas antes de cadastrar o primeiro item
O catálogo tem 500 vagas e uma conta por WhatsApp Business. Some modelos vezes variações: cada tamanho e cada cor ocupa uma vaga própria, porque a tela de cadastro do app não tem campo de variação. Se a soma passar de 500, decida agora o que entra, senão você descobre isso no meio do cadastro e recomeça.
2Abra Ferramentas comerciais e crie o item
No app, vá em Ferramentas comerciais, toque em Catálogo e depois em Adicionar novo item. Suba as fotos, preencha nome, preço, descrição, link e código do item. O código é o seu SKU, ninguém além de você vê, e é ele que salva a sua vida na hora de casar o pedido com o estoque.
3Enquadre a foto em quadrado antes de subir
A vitrine mostra a imagem recortada em quadrado. Foto tirada em pé perde as bordas de cima e de baixo, e é aí que somem a etiqueta de preço e o nome do produto. Suba em 1.080 por 1.080 pixels, com o produto centralizado e fundo limpo. Depois de salvar, confira a miniatura na própria lista do catálogo.
4Agrupe em coleções assim que passar de 20 itens
Acima de vinte produtos, ninguém rola a lista inteira. Crie coleções por uso, não por categoria interna: Para presente, Menos de R$ 100, Chegou essa semana. No cardápio de restaurante, coleção por refeição funciona melhor do que por tipo de prato.
5Pegue o link e teste de fora
Em Configurações da empresa, abra Catálogo, toque nos três pontos e escolha Compartilhar link do catálogo. O endereço tem o formato wa.me/c/55DDDNUMERO. Abra esse link de outro aparelho, sem o seu contato salvo: se a vitrine carregar com fotos e preços, o catálogo está publicado de verdade.
Se a aba Ferramentas comerciais não aparece, o número ainda está no app comum. A migração, com backup e sem perder conversa, está em WhatsApp Business ou WhatsApp normal. E se você está montando o perfil do zero, o catálogo é uma das etapas do guia de como configurar o WhatsApp Business.
As 500 vagas e a conta da grade
O limite é de 500 itens, com um catálogo por conta comercial. Parece folgado até você lembrar que o catálogo do app não tem campo de variação. Não existe, na tela de cadastro do WhatsApp Business, um produto “Camiseta” com seletor de tamanho: existe Camiseta P branca, Camiseta P preta, Camiseta M branca, e assim por diante. Cada combinação come uma vaga. (Agrupamento de variantes existe do lado do Gerenciador de Comércio, para catálogos alimentados por feed, e é justamente por isso que loja com grade grande acaba indo para lá.)
| Negócio | Como o catálogo conta | Vagas usadas | Sobra de 500 |
|---|---|---|---|
| Restaurante (cardápio) | 1 prato = 1 item | 80 | 420 |
| Clínica de estética | 1 procedimento = 1 item | 25 | 475 |
| Papelaria | 1 SKU = 1 item | 300 | 200 |
| Loja de roupas com grade | 40 modelos × 4 tamanhos × 3 cores | 480 | 20 |
| Distribuidora | 1.200 SKUs no ERP | não cabe | estoura em 500 |
Repare na quarta linha: quarenta modelos de roupa, um número modesto para qualquer loja de rua, praticamente lotam o catálogo. A regra de bolso é fazer a multiplicação antes de cadastrar qualquer coisa. Se modelos × tamanhos × cores passa de 500, existem três saídas honestas: subir só os campeões de venda e tratar o catálogo como vitrine curada, cadastrar um item por modelo e resolver tamanho e cor na conversa, ou levar o estoque inteiro para um feed no Gerenciador de Comércio e deixar o app de lado.
A segunda saída é a que mais funciona no varejo brasileiro, e por um motivo comercial, não técnico: quando o cliente precisa perguntar o tamanho, a conversa começa. Catálogo cheio demais vira site, e site não puxa conversa.
O que a Meta não deixa entrar na vitrine
Aqui mora o erro mais caro. A Política de Mensagens do WhatsApp Business tem uma lista de setores regulamentados e, na seção sobre eles, duas frases que quase ninguém lê: você não pode enviar mensagem sobre setor regulamentado pelo app WhatsApp Business, e você não pode oferecer nenhuma experiência comercial, catálogo incluído, para comprar ou vender esses produtos. A tabela abaixo traduz isso para os casos que mais aparecem no Brasil.
| Setor | Mensagem pelo app Business | Mensagem pela Plataforma (API) no Brasil | Item no catálogo |
|---|---|---|---|
| Bebida alcoólica | Não | Sim, com licença e barreira de idade | Não |
| Medicamento de venda livre | Não | Sim, nas mesmas condições | Não |
| Medicamento com receita | Não | Não | Não |
| Produtos médicos e de saúde | Não | Não | Não |
| Animais vivos (exceto gado) | Não | Não | Não |
| Marketing multinível | Não | Não | Não |
| Apostas online | Não | Não (Brasil fora da lista) | Não |
| Empréstimo entre pessoas, cobrança de dívida | Não | Não | Não |
A coluna do meio é a que gera confusão. O Brasil aparece nas listas de países liberados para mensagens sobre álcool e sobre medicamento de venda livre, e daí vem a lenda de que a adega pode montar catálogo de vinho. Não pode: a liberação é para conversar pela Plataforma, com restrição de idade e licença, e a vitrine continua fechada. A política ainda fecha a porta dos fundos ao dizer que as proibições valem independentemente das licenças, registros ou aprovações locais que a empresa tenha. Farmácia com alvará da vigilância está na mesma regra do vendedor sem registro nenhum.
E não é análise humana caso a caso: a Meta verifica automaticamente os itens adicionados ao catálogo ligado à conta comercial e sinaliza o que viola a Política Comercial. Cliente também pode denunciar um produto que recebeu, e a denúncia joga o item na fila de revisão. O recurso é aberto no Gerenciador de Comércio. Vender o que não pode não custa só o item: a política diz que o uso do catálogo para produtos proibidos pode tirar o acesso a todos os serviços do WhatsApp Business.
O carrinho tem regras que ninguém conta
O carrinho é a diferença entre uma vitrine bonita e um pedido fechado, e ele funciona de um jeito bem específico. A documentação da Meta, atualizada em junho de 2026, é clara nos limites:
- o cliente pode colocar até 99 unidades de cada item, e não há teto de itens diferentes no mesmo carrinho;
- existe um carrinho por conversa e por aparelho. O carrinho montado no celular não aparece no WhatsApp Web, e vice-versa;
- o carrinho não expira: fica parado na conversa até o cliente enviar;
- depois de enviado, não dá para editar. Mudou de ideia, manda outro carrinho, e você recebe dois pedidos;
- a empresa não pode enviar carrinho para o cliente. Quem monta é sempre ele;
- a mensagem com vários produtos, disponível pela API, mostra no máximo 30 itens organizados em seções.
Junte a primeira regra com a terceira e você tem a consequência prática: o pedido que não fecha no mesmo dia costuma morrer, porque o carrinho está preso naquela conversa, naquele aparelho, e o cliente não recebe nenhum lembrete de que ele existe. Quem vende por catálogo e demora para responder perde no carrinho, não no preço. Uma mensagem de ausência decente ajuda mais do que um desconto, e o passo a passo dela está em como criar mensagem automática no WhatsApp Business.
Detalhe operacional que economiza briga: marcar um item como indisponível remove o produto do carrinho de quem já tinha adicionado, com um aviso de que o carrinho foi atualizado. Já mudar preço, nome, descrição ou foto atualiza na hora, inclusive nas mensagens antigas. Ou seja, promoção que acabou continua valendo aos olhos de quem recebeu o produto ontem, porque o preço exibido passa a ser o novo. Vale avisar antes de mexer.
Quanto custa: hoje, e depois de 1º de outubro
Dentro do app, o catálogo é grátis de verdade: sem mensalidade, sem tarifa por item, sem tarifa por carrinho recebido. O custo entra em cena quando a loja cresce e troca o app pela API oficial, e a data que muda essa conta é 1º de outubro de 2026, quando acaba a gratuidade das mensagens de atendimento.
Pegue uma loja de roupas femininas em Fortaleza, 60 itens na vitrine e 400 conversas por mês nascendo do link do catálogo. No app, com uma pessoa respondendo, a conta do mês é R$ 0. A mesma loja com três atendentes na API oficial fica assim (tabela da Meta para o Brasil consultada em julho de 2026):
- 400 conversas × 4 respostas da loja = 1.600 mensagens de atendimento. Até 30/09/2026: R$ 0. A partir de 1º/10/2026, à tarifa de utilidade de R$ 0,0350: 1.600 × 0,0350 = R$ 56;
- 200 mensagens de campanha para a lista, categoria marketing, a R$ 0,3217: R$ 64;
- mensalidade da plataforma na faixa de entrada: ~R$ 61.
Total perto de R$ 181 por mês contra os R$ 0 de hoje. Uma ressalva honesta sobre esse número: a Meta ainda não publicou a tarifa final das mensagens de atendimento de outubro, prometida para até 1º de setembro. Usamos a tarifa de utilidade como referência porque a documentação diz que serviço vai custar o mesmo que utilidade e autenticação em cada mercado. O detalhamento e os degraus por volume estão em preços da API do WhatsApp em 2026, e dá para rodar o seu volume na calculadora de custo da API.
A regra de bolso que sai daí: o catálogo não custa, o atendimento em volume é que custa. Enquanto uma pessoa dá conta do WhatsApp da loja, o app resolve e a vitrine é de graça. Quando três pessoas precisam enxergar a mesma conversa, o catálogo vai junto para a API, e a conta começa. As opções de plataforma estão nas melhores plataformas de atendimento no WhatsApp.
Erros comuns (e como conferir que resolveu)
- O cliente diz que não vê o botão de catálogo: abra
wa.me/c/55DDDNUMEROde outro aparelho, sem o seu contato salvo. Se a vitrine carregar com foto e preço, está publicado. Se cair numa conversa comum, o catálogo está vazio, todos os itens estão ocultos, ou você testou o número pessoal por engano. - Item preso em análise: confira a categoria antes de abrir recurso. Suplemento, cosmético com promessa de tratamento, produto de saúde e serviço financeiro entre pessoas físicas caem pela Política Comercial, e nenhuma licença destrava. O recurso, para os casos legítimos, é aberto no Gerenciador de Comércio.
- Foto cortada na vitrine: a miniatura recorta em quadrado. Depois de salvar o item, olhe a lista do catálogo, não a tela de edição. Se o nome do produto ou a etiqueta sumiram, o enquadramento está errado, e não a foto.
- Preço aparece diferente do combinado: alteração de preço vale também para mensagens já enviadas. Antes de reajustar, feche os pedidos em aberto, ou avise quem recebeu o produto nos últimos dias.
- O catálogo sumiu depois da migração para a API: os itens continuam lá, o que caiu foi o vínculo com o número. Refaça em Gerenciador de Comércio, Configurações, Ativos comerciais, WhatsApp, e conecte o número. Para confirmar, mande uma mensagem de catálogo para si mesmo pela plataforma.
Quando a vitrine deixa de ser suficiente
O catálogo resolve bem a fase em que o cliente precisa ver o que você vende antes de perguntar o preço. Ele para de resolver em dois momentos claros: quando o número de itens estoura as 500 vagas, e quando o volume de conversa exige mais de uma pessoa na mesma caixa de entrada. O primeiro se resolve com feed no Gerenciador de Comércio. O segundo, com API oficial e uma plataforma por cima, o que abre a porta para chatbot, fila e relatório: as opções estão nos melhores chatbots para WhatsApp.
Há um terceiro momento, e ele vale para quem já tem loja virtual: o catálogo do app é um cadastro separado do da sua loja, então cada produto novo entra duas vezes. Quem vende por Nuvemshop, Shopify, VTEX ou Tray costuma resolver isso com uma plataforma que sincroniza o catálogo e ainda dispara o aviso de pedido enviado e o lembrete de carrinho abandonado. Quem conecta em qual loja (e quanto custa cada aviso em R$) está nos melhores chatbots para e-commerce no WhatsApp.
Enquanto isso, o trabalho barato é de divulgação. Coloque o link da vitrine onde o cliente já está: na bio, com o link do WhatsApp no Instagram; no balcão e na embalagem, com um QR Code do WhatsApp. E se a venda fecha por Pix, vale acompanhar como o pagamento dentro da conversa está caminhando em Pix no WhatsApp.
Perguntas frequentes
Quantos produtos cabem no catálogo do WhatsApp Business?
São 500 itens, e um catálogo por conta comercial. Não dá para dividir mil produtos em dois catálogos de quinhentos. Como o catálogo não tem campo de variação, cada combinação de tamanho e cor gasta uma vaga: uma loja de roupas com 40 modelos, 4 tamanhos e 3 cores chega a 480 itens antes de cadastrar a segunda coleção.
O catálogo do WhatsApp Business é grátis?
É. Cadastrar produtos, publicar a vitrine, compartilhar o link e receber carrinhos não tem mensalidade nem tarifa dentro do app. O custo aparece em outro lugar: quando a loja troca o app pela API oficial para ter vários atendentes na mesma conversa, aí cada mensagem passa a ser cobrada pela tabela da Meta.
Como pegar o link do catálogo do WhatsApp?
Em Configurações da empresa, toque em Catálogo, depois nos três pontos no canto superior e em Compartilhar link do catálogo. Sai um endereço no formato wa.me/c/55DDDNUMERO, que abre a vitrine direto. Ele funciona na bio do Instagram, no rodapé do site e dentro de um QR Code impresso.
Posso vender remédio, suplemento ou bebida pelo catálogo?
Não. A Política de Mensagens do WhatsApp Business bloqueia produtos médicos e de saúde, medicamentos, álcool e tabaco nos recursos comerciais, e diz de forma explícita que a proibição vale independentemente das licenças e registros que a empresa tenha. Farmácia com alvará e adega com licença estadual caem na mesma regra. O que a política permite, e só pela Plataforma (API), é enviar mensagem sobre álcool e sobre medicamento de venda livre em uma lista de países onde o Brasil aparece. Mensagem, não item no catálogo.
Por que meu produto ficou em análise ou foi reprovado?
A Meta analisa automaticamente os itens adicionados ao catálogo ligado à conta comercial e sinaliza o que viola a Política Comercial. Clientes também podem denunciar um produto que receberam, e a denúncia manda o item para revisão. O recurso é feito no Gerenciador de Comércio. Antes de recorrer, releia a categoria do produto: suplemento, cosmético com promessa terapêutica e serviço financeiro entre pessoas físicas costumam cair sozinhos.
O cliente paga dentro do WhatsApp?
No fluxo do app, não. O carrinho chega como mensagem de pedido e o pagamento acontece fora, quase sempre por Pix copia e cola ou link de checkout. O pagamento dentro da conversa vem sendo construído com iniciadores de pagamento do Open Finance, e o histórico dessa novela está na nossa página sobre Pix no WhatsApp.
O catálogo funciona no WhatsApp comum?
Não. Catálogo, coleções e carrinho são recursos do WhatsApp Business e da API oficial. No app comum não existe a aba Ferramentas comerciais. Quem quer vitrine precisa migrar o número para o WhatsApp Business, o que dá para fazer sem perder as conversas se o backup for feito antes.
Perco o catálogo se levar o número para a API oficial?
Os itens não somem: o catálogo mora na infraestrutura de comércio da Meta, não no celular. O que quebra é a ligação entre o catálogo e o número, que precisa ser refeita no Gerenciador de Comércio, em Configurações, Ativos comerciais, WhatsApp. Enquanto essa ligação não é refeita, o cliente vê o perfil sem vitrine nenhuma.
Dá para esconder um produto sem apagar?
Dá, e é o caminho certo para item sazonal ou fora de estoque. Marcar como indisponível tira o produto da vitrine e também do carrinho de quem já tinha adicionado, com um aviso de que o carrinho mudou. Apagar o item é pior: você perde o histórico e o código, e recadastrar gasta uma vaga nova.
Como apuramos
As regras de setores regulamentados, a proibição de experiências comerciais e a ressalva sobre licenças vêm da Política de Mensagens do WhatsApp Business, seções 4 e 5, na versão de maio de 2026. Os limites do carrinho, os 30 itens da mensagem de vários produtos, a análise automática dos itens e o comportamento das atualizações de produto vêm da visão geral de catálogos da Meta, atualizada em 18 de junho de 2026. O teto de 500 itens, o catálogo único por conta comercial e o caminho de compartilhamento do link estão na Central de Ajuda do WhatsApp, Sobre o catálogo e Como compartilhar o link do catálogo. As tarifas em real seguem a tabela da Meta para o Brasil que checamos em 30 de julho de 2026, e a data de 1º de outubro é a publicada pela própria Meta para o fim da gratuidade das mensagens de atendimento. Os caminhos de menu descritos no passo a passo seguem a estrutura atual do app (Ferramentas comerciais e Configurações da empresa) conferida contra a Central de Ajuda; se a sua versão mostrar outro rótulo, o app está em fila de atualização.
O que não medimos nesta edição, e por isso não publicamos como número: tempo de aprovação de item, que varia por categoria e para o qual não temos amostra suficiente. A recomendação de 1.080 × 1.080 pixels é editorial e vem do enquadramento quadrado da vitrine, não de um mínimo obrigatório da Meta. O cenário de custo de outubro usa a tarifa de utilidade como referência porque a tarifa final de atendimento ainda não foi publicada. Consulta em 10 de agosto de 2026.
