A resposta curta para quem veio atrás do total: não existe contagem oficial de usuários de WhatsApp no Brasil. O que existe, com fonte e data, é que 90,5% dos brasileiros de 10 anos ou mais usaram a internet em 2025, que 90,2% desses usuários trocaram mensagens por aplicativos, que 64,8% dos smartphones têm o WhatsApp na tela inicial e que 74% das empresas com 10 ou mais pessoas estavam no WhatsApp ou no Telegram em 2024. Cada número mede uma coisa diferente, e esta matéria mostra o que cada um mede e o que não mede.
Fechamos a edição em 15 de outubro de 2026. Só entrou número com fonte primária ou com reportagem que cita a fonte, e cada linha traz o ano. Onde fizemos conta própria, a aritmética aparece.
Quantos brasileiros usam internet e celular
A base de tudo vem do IBGE. Na PNAD Contínua TIC 2025, divulgada em 2 de julho de 2026, 90,5% da população de 10 anos ou mais usou a internet, o equivalente a 168,7 milhões de pessoas em 186,4 milhões. É a primeira vez que o índice passa de 90%. O celular é o aparelho de acesso de 98,7% dos usuários, e 89,8% das pessoas têm celular próprio (167,4 milhões).
| Ano | Usaram a internet (10 anos ou mais) | Tinham celular próprio |
|---|---|---|
| 2016 | 66,0% | 77,4% |
| 2019 | 79,4% | 81,3% |
| 2024 | 89,2% | 88,9% |
| 2025 | 90,5% | 89,8% |
Dois recortes importam para quem vende. A diferença entre cidade e roça ainda é grande: 91,5% de uso urbano contra 83,0% no rural. E 10,2% da população, 19,1 milhões de pessoas, não tem celular. Se a sua base já é cadastrada por telefone, o impacto direto é pequeno, mas quem prospecta por panfleto ou indicação pode estar falando com esse grupo sem saber.
Quantos usam mensageria, e por que não dá para escrever “90% usam WhatsApp”
O IBGE mede o uso de aplicativos de mensagens, excluído o e-mail: 90,2% dos usuários de internet fizeram isso, e 95,3% fizeram chamada de voz ou vídeo, o uso mais comum da lista. O WhatsApp não é citado pelo nome no texto do IBGE. Aplicada aos 168,7 milhões de usuários, a taxa de 90,2% dá algo perto de 152 milhões de pessoas (168,7 × 0,902 = 152,2; conta nossa, o IBGE não publica esse total). Esse é um teto para o WhatsApp, porque a categoria também inclui Telegram, Messenger e outros.
A medição que chega mais perto do app é a do Super Panorama, da Mobile Time com a Opinion Box. Na nota de 9 de junho de 2026, o WhatsApp está na tela inicial de 64,8% dos smartphones, 11,8 pontos percentuais acima dos 53% da medição anterior, e lidera o ranking de presença. A edição de junho ouviu 4.138 pessoas, com margem de erro de 1,5 ponto. A nota não detalha o período de campo, e presença na tela inicial diz que o ícone está à mão, não quantas vezes por dia a pessoa abre o app.
Quantas linhas de celular existem
A Anatel contabiliza linhas, não pessoas. Em agosto de 2026 eram 220,92 milhões de linhas de celular ativas, sendo 128,55 milhões pós-pagas e 92,37 milhões pré-pagas, e 280,47 milhões de acessos móveis quando se incluem os chips de IoT, segundo a TeleTime. Em maio, a mesma série estava em 219,4 milhões de linhas e 276,3 milhões de acessos, e a TeleTime chamou o crescimento do mês de o melhor resultado em anos.
A tentação é dividir 220,92 milhões de linhas por 167,4 milhões de pessoas com celular próprio e achar que o WhatsApp tem “penetração” de 132%. A razão existe (1,32 linha por dono de celular), mas ela mistura segundo chip, linha de empresa e aparelho de trabalho. Serve para lembrar que um mesmo cliente pode ter dois números, e que o seu cadastro talvez guarde o mais antigo. Para checar isso na sua base, o validador de número de WhatsApp mostra o que dá e o que não dá para saber sem consultar a Meta.
Quantas empresas brasileiras usam WhatsApp
O Cetic.br, braço do NIC.br, é a fonte independente com metodologia aberta. Na TIC Empresas 2024, feita com 4.453 empresas de 10 ou mais pessoas ocupadas, por telefone, de março a novembro de 2024, 74% usavam WhatsApp ou Telegram, contra 42% em 2017. O resumo executivo trata as duas plataformas como as principais da presença online das empresas. O mesmo levantamento achou 13% de empresas usando inteligência artificial em 2024, o mesmo valor de 2023.
Para o canal de venda, a tabela E2C pergunta só às empresas que venderam pela internet nos últimos 12 meses e lista as mensagens de WhatsApp, Skype ou chat do Facebook entre os canais. O resultado muda bastante por porte e por setor:
| Recorte | Venderam por WhatsApp, Skype ou chat do Facebook |
|---|---|
| Total | 81% |
| 10 a 49 pessoas ocupadas | 84% |
| 50 a 249 pessoas ocupadas | 67% |
| 250 pessoas ou mais | 62% |
| Comércio e reparação de veículos | 85% |
| Alojamento e alimentação | 82% (e 53% por aplicativos próprios ou de terceiros) |
| Informação e comunicação | 73% |
O padrão é claro: quanto menor a empresa, mais a venda passa pela conversa. É o perfil de quem lê um site como este. Para quem está nesse grupo, o caminho do primeiro contato ao fechamento está no guia de como vender pelo WhatsApp, e a diferença entre o aplicativo gratuito e a API, que decide quando o volume começa a custar, em WhatsApp Business e WhatsApp normal.
Uma divergência dentro do próprio Cetic.br
Ao conferir a tabela, encontramos algo que não vimos citado em matéria nenhuma. O resumo executivo da mesma pesquisa diz que o uso de mensagens de WhatsApp, Skype ou chat do Facebook como canal de venda online foi de 55% em 2023 para 49% em 2024, e o e-mail de 40% para 34%. A tabela E2C, para o mesmo canal, mostra 81% no total e 57% para o e-mail. Os dois saem do mesmo estudo e, pelo que o texto indica, da mesma base de empresas que venderam pela internet.
Não conseguimos reconciliar os dois. O gráfico do resumo também parece ter os rótulos de dois canais em ordem diferente da do texto. Pode ser uma diferença de base de cálculo entre o resumo e a tabela expandida, e o Cetic.br é quem pode esclarecer. Na prática: ao citar o WhatsApp como canal de venda, diga qual número usou e de onde veio. O que os dois leem do mesmo jeito é a posição, porque nas duas versões as mensagens ficam na frente de e-mail, redes sociais e site próprio.
O universo de pequenos negócios: denominador, não resultado
O Sebrae, no Panorama de Julho de 2026, registra 24.142.633 pequenos negócios com CNPJ ativo em junho de 2026, com 55,8% de MEI (cerca de 13,47 milhões; 24.142.633 × 0,558 ≈ 13,47 milhões; conta nossa). Esse é o número certo para dimensionar o mercado de quem atende pequenos negócios, mas ele não diz nada sobre WhatsApp.
Também não dá para multiplicar os 74% do Cetic.br por esse total. O Cetic.br só entrevista empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas, e a maioria dos 24 milhões de pequenos negócios tem menos que isso. Quem escreve “18 milhões de empresas usam WhatsApp” a partir dessas duas fontes está juntando universos diferentes. Não existe, hoje, uma medição pública de WhatsApp em microempresa e MEI.
As tabelas completas, com o que cada número não mede
Uso entre pessoas
| O número | O que mede | O que não mede | Fonte e data |
|---|---|---|---|
| 90,5% da população de 10 anos ou mais usou a internet em 2025 (168,7 milhões de 186,4 milhões) | Pessoas que usaram a internet no período de referência. Era 89,2% em 2024 e 66,0% em 2016. | Não fala de WhatsApp. É o teto de quem pode estar no aplicativo. | IBGE, PNAD Contínua TIC 2025, divulgada em 02/07/2026 |
| 98,7% dos usuários de internet acessaram pelo celular; 89,8% das pessoas tinham celular próprio (167,4 milhões) | Aparelho principal de acesso e posse de celular pessoal. | Não separa smartphone de celular simples. | IBGE, PNAD Contínua TIC 2025 |
| 90,2% dos usuários de internet trocaram mensagens por aplicativos que não são e-mail; 95,3% fizeram chamadas de voz ou vídeo | O uso de mensageria como categoria. É o número oficial mais próximo do WhatsApp. | O IBGE não cita o WhatsApp pelo nome. Quem escreve “90% usam WhatsApp” a partir daqui está inferindo. | IBGE, PNAD Contínua TIC 2025 |
| 64,8% dos smartphones brasileiros têm o WhatsApp na tela inicial, contra 53% na medição anterior | Presença do ícone na primeira tela do aparelho, o app mais presente do ranking. | Presença na tela não é frequência de uso nem número de contas. | Mobile Time e Opinion Box, Super Panorama, nota de 09/06/2026 (edição de junho com 4.138 respondentes e margem de 1,5 ponto percentual) |
| 220,92 milhões de linhas de celular ativas em agosto de 2026 (128,55 milhões pós-pagas e 92,37 milhões pré-pagas); 280,47 milhões de acessos móveis contando IoT | Linhas e chips ativos, não pessoas. | Uma pessoa pode ter dois chips, e uma empresa pode ter dezenas. Dividir linhas por habitantes não dá penetração de WhatsApp. | Anatel, conforme a TeleTime de 05/10/2026 |
Uso entre empresas
| O número | O que mede | O que não mede | Fonte e data |
|---|---|---|---|
| 74% das empresas brasileiras com 10 ou mais pessoas ocupadas usavam WhatsApp ou Telegram em 2024, contra 42% em 2017 | Presença de empresas nessas plataformas, de acordo com o resumo executivo da pesquisa. | Junta WhatsApp e Telegram numa linha só e não cobre empresa com menos de 10 pessoas, que é a maioria do país. | Cetic.br, TIC Empresas 2024 (4.453 empresas entrevistadas por telefone, de março a novembro de 2024) |
| Entre as empresas que venderam pela internet, 81% usaram mensagens de WhatsApp, Skype ou chat do Facebook como canal (84% nas de 10 a 49 pessoas, 62% nas de 250 ou mais) | Canal da venda, na tabela E2C, entre as empresas que já venderam online. | A base é só quem vende pela internet. O mesmo estudo traz outro número para o canal, e a diferença está explicada mais abaixo. | Cetic.br, TIC Empresas 2024, tabela E2C |
| 24.142.633 pequenos negócios com CNPJ ativo em junho de 2026, dos quais 55,8% são MEI | O universo de empresas pequenas no país, segundo o recorte do Sebrae. | Não diz quantas usam WhatsApp. Serve de denominador, nunca de resultado. | Sebrae, Panorama de Julho de 2026 (referência: junho de 2026) |
Números que circulam e que não usamos
Ao procurar, esbarramos em quatro números repetidos em blogs de marketing. Não estão necessariamente errados. Só não conseguimos verificar a origem, e por isso ficaram de fora da tabela principal.
| O número que circula | De onde vem | Por que ficou de fora |
|---|---|---|
| “95% das empresas brasileiras usam WhatsApp” | Estudo encomendado pela Yalo com dados da IDC, divulgado em 28/10/2023 | A amostra não foi informada na matéria que lemos. Compare com os 74% do Cetic.br, que declara universo, amostra e período. |
| “197 milhões de usuários no Brasil” | Estimativa da Meta citada em evento de agosto de 2023, sem porta-voz nomeado | Tem três anos e é estimativa da própria empresa, sem metodologia pública que tenhamos encontrado. Não achamos atualização oficial. |
| “93,4% dos brasileiros têm WhatsApp” | We Are Social, repetido pela imprensa | Pesquisa de terceiro, reproduzida em matérias de 2023. Não conferimos o relatório original, então não entra como dado nosso. |
| “79% dos usuários também falam com marcas pelo WhatsApp” | Opinion Box, via Consumidor Moderno, junho de 2023 | A matéria não informa amostra nem data de campo. Pode ter sido verdade; não dá para verificar daqui. |
O que esses números significam para o seu negócio
O cliente está lá. Com 90,2% dos usuários de internet usando mensageria e o WhatsApp à frente na tela inicial, a pergunta para uma loja ou clínica deixou de ser se vale ter o canal. É como atender nele sem depender de uma pessoa o dia inteiro. O ponto de partida é o aplicativo gratuito, descrito em como usar o WhatsApp Business. Quando a conversa passa de um volume que uma pessoa dá conta, entra a automação, e a comparação está no ranking de chatbots para WhatsApp.
A segunda consequência é financeira. A Meta cobra por mensagem enviada pela API, e a Meta anunciou que a mensagem de atendimento deixa de ser gratuita a partir de 1º de outubro de 2026, como detalhamos na matéria sobre o preço da API do WhatsApp em 2026. Estatística de alcance sem conta de custo engana: use a calculadora de custo da WhatsApp API com o seu volume antes de decidir. E se o seu cadastro depende do telefone do cliente, vale ler o que mudou em julho de 2026 com o nome de usuário e o BSUID.
Como citar estes números sem errar
- Cite a fonte original, com o ano. “IBGE, PNAD Contínua TIC 2025” e não “segundo o zapfunil”.
- Escreva o que foi medido. “90,2% dos usuários de internet usam aplicativos de mensagens” é correto. “90,2% usam WhatsApp” não é o que o IBGE publicou.
- Não misture universos. Pessoas de 10 anos ou mais, linhas de celular, empresas de 10 ou mais pessoas e pequenos negócios são denominadores diferentes.
- Marque o que é conta sua. Os 152 milhões e os 13,47 milhões desta página são cálculos nossos sobre percentuais oficiais.
Como apuramos esta edição
Em 15 de outubro de 2026, lemos a divulgação do IBGE no site da Agência de Notícias, a tabela E2C e o resumo executivo da TIC Empresas 2024 no site do Cetic.br, o Panorama de Julho de 2026 do Sebrae e as notas do Mobile Time. Os números da Anatel vêm da TeleTime, que os reproduz do boletim da agência, e não conferimos o painel original. Cada tabela traz o ano do dado, porque a matéria mistura 2024, 2025 e 2026.
O que não apuramos
Não encontramos uma contagem recente e oficial de usuários de WhatsApp no Brasil, nem um número da Meta para empresas ativas no país. Não lemos o relatório completo do Super Panorama, só as notas do Mobile Time, então não sabemos o perfil da amostra nem o período de campo. Não conferimos o relatório original da We Are Social. A divergência dentro do Cetic.br segue sem explicação nossa. Se você tiver o dado de uma fonte primária que falta aqui, escreva para a redação pelo contato.
